dom. abr 11th, 2021

Acuado, o mandatário sobrevive de blefes e mentiras

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Diante da pressão que recai sobre o governo federal, Bolsonaro, mais uma vez, apelou para a ameaça travestida pelo blefe da cínica ironia, e declarou que “quem decide se um povo vai viver numa democracia ou numa ditadura são as suas Forças Armadas”.

O presidente se esforça, com as suas ralas cortinas de fumaça e o seu incipiente discurso, para desviar a atenção do fracasso no qual está atolado, protagonizando uma gestão cujo semblante se reconhece, até mesmo internacionalmente, pela absoluta falta de competência que traça os seus caminhos.

Descendo a ladeira, Bolsonaro, o defensor da cloroquina, fez questão de configurar-se como um dos poucos e infelizes exemplos em todo o mundo que, durante a crise sanitária, optou não somente pelo negacionismo, mas, sobretudo, pelo deboche e pelo descaso, lavando as mãos e remando contra a imperativa e cruel realidade instaurada pela falta de estrutura da saúde pública, que sempre demandou urgência, rubricada pelas milhares de mortes e pelas covas abertas.

O presidente nunca se responsabilizou por qualquer desventura. Sempre teve o nome dos “culpados” na ponta da língua, acusando e descartando ministros “desalinhados”, colocando na conta do Supremo e do Congresso, ou mesmo jogando no colo da imprensa.

Segundo Bolsonaro, a pandemia era uma “gripezinha”, que passou a ser uma invenção da oposição para derrubá-lo e depois se tornou uma conspiração comunista internacional que matou milhares de pessoas somente para atingi-lo, refletindo a grandeza que julga possuir o nosso esboço de Donald Trump tupiniquim.

Fica a dúvida se as narrativas presidenciais são frutos de sua criatividade, se representam um caso patológico, merecedor de estudo ou internação, ou ainda se simplesmente refletem a insensibilidade do falso Messias sobre as demandas da população.

Assistir ao mandatário comemorar a possibilidade de estudos de novas vacinas serem reprovados, só para que tivesse razão como seu opositor, representa o quão distante está a dura realidade da sociedade que agoniza e a fatídica fantasia desenhada pela mente conturbada do gestor que não aceita ser contrariado.

Ainda sem entrar no mérito das acusações envolvendo o restante do seu clã, com filhos que também figuram na política, e que acreditam cegamente terem sido simultaneamente eleitos presidentes da República coadjuvantes em 2018, não há muito o que esperar de Bolsonaro, ao menos em questão de progresso e desenvolvimento do País.

Isso porque durante as décadas nas quais dormitou no Legislativo, deu robustos sinais de sua falta de comprometimento e irresponsabilidade em sucessivos mandatos. Afinal, qual a magnitude de seus projetos ao longo de todos os anos em que foi deputado? Qual a causa efetivamente defendida em prol de uma sociedade mais justa?

Sua conduta se resumiu às promessas de armar a população, ao invés de reforçar uma segurança pública que já é paga pelo cidadão-eleitor, destratar segmentos que até hoje julga como sendo minorias, e a promoção da cultura do ódio e da desinformação. O resto, foi confeito.

Quando Bolsonaro, diante de seu cercadinho de apoiadores, conta suas anedotas e faz as esdrúxulas ameaças, respaldadas por uma perigosa necropolítica, não só despreza a importância do cargo para o qual foi eleito, mas também esfrega na cara sofrida do Brasil que o ruim pode ainda piorar. E muito. Movidos pela cólera insubmissa que nos aflige, fica a pergunta, parafraseado o rei Juan Carlos, afinal, “por que não te calas ?”

Ainda restam dois anos de gestão, salvo o caso de uma providencial abreviação impeditiva. Mas fica uma certeza; se a população brasileira tinha que passar por provações, com Bolsonaro entrou na fila pelo menos umas três vezes. Está pago e ainda ficará crédito na conta.

Marcelo Copelli
Jornalista e Analista político

Imagem: Pixabay

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